Nelson Rodrigues

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  • Características da obra

    O teatro entrou na vida de Nelson Rodrigues por acaso. Uma vez que se encontrava em dificuldades financeiras, achou no teatro uma possibilidade de sair da situação difícil em que estava. Assim, escreveu “A mulher sem pecado…”, sua primeira peça. Segundo algumas fontes, Nelson tinha o romance como gênero literário predileto, e suas peças seguiram essa predileção, pois as mesmas são como romances em forma de texto teatral. Nelson é um originalíssimo realista. Não é à toa que foi considerado um novo Eça. De fato, a prosa de Nelson era realista e, tal como os realistas do século XIX, ele criticou a sociedade e suas instituições, sobretudo o casamento.

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    Sendo esteticamente realista em pleno Modernismo, Nelson não deixou de inovar tal como fizeram os modernos. O autor transpôs a tragédia grega para o sociedade carioca do início do século XX, e dessa transposição surgiu a “tragédia carioca”, com as mesmas regras daquela, mas com um tom contemporâneo. O erotismo está muito presente na obra de Nelson Rodrigues, o que lhe garante o título de realista. Nelson não hesitou em denunciar a sordidez da sociedade tal como o fez Eça de Queirós em suas obras. Esse erotismo realista de Nelson teve sua gênese em obras do século XIX, como “O Primo Basílio”, e se desenvolveu grandemente na obra do autor pernambucano. Em síntese, Nelson foi um grande escritor, dramaturgo e cronista, e está imortalizado na literatura brasileira.

    Frases

    A coleção de pérolas rodrigueanas daria para encher uma enciclopédia. Ruy Castro organizou, para a Editora Companhia das Letras, um volume que reúne, sob o título de Flor de Obsessão, as “mil melhores frases” do homem. Se quisesse, reuniria três mil, como estas vinte:

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    • “O brasileiro é um feriado”.
    • “O Brasil é um elefante geográfico. Falta-lhe, porém, um rajá, isto é, um líder que o monte”.
    • “Sou a maior velhice da América Latina. Já me confessei uma múmia, com todos os achaques das múmias”
    • “Toda oração é linda. Duas mãos postas são sempre tocantes, ainda que rezem pelo vampiro de Dusseldorf”.
    • “O grande acontecimento do século foi a ascensão espantosa e fulminante do idiota”
    • “Na vida, o importante é fracassar”
    • “A Europa é uma burrice aparelhada de museus”.
    • “Hoje, a reportagem de polícia está mais árida do que uma paisagem lunar. O repórter mente pouco, mente cada vez menos”.
    • “Daqui a duzentos anos, os historiadores vão chamar este final de século de ”a mais cínica das épocas”. O cinismo escorre por toda parte, como a água das paredes infiltradas”.
    • “Sexo é para operário”.
    • “O socialismo ficará como um pesadelo humorístico da História”.
    • “A pior forma de solidão é a companhia de um paulista”.
    • “Subdesenvolvimento não se improvisa. É obra de séculos”.
    • “As grandes convivências estão a um milímetro do tédio”.
    • “Todo tímido é candidato a um crime sexual”.
    • “Todas as vaias são boas, inclusive as más”.
    • “O presidente que deixa o poder passa a ser, automaticamente, um chato”
    • “Não gosto de minha voz. Eu a tenho sob protesto. Há, entre mim e minha voz, uma incompatibilidade irreversível”.
    • “Sou um suburbano. Acho que a vida é mais profunda depois da praça Saenz Peña. O único lugar onde ainda há o suicídio por amor, onde ainda se morre e se mata por amor, é na Zona Norte”.
    • “O adulto não existe. O homem é um menino perene”.

    Principais obras

    Peças psicológicas

    • A mulher sem pecado
    • Vestido de noiva
    • Valsa nº 6
    • Viúva, porém honesta
    • Anti-Nélson Rodrigues

    Peças míticas

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    • Álbum de família
    • Anjo negro
    • Senhora dos Afogados
    • Doroteia

    Tragédias Cariocas

    • A falecida
    • Perdoa-me por me traíres
    • Os Sete Gatinhos
    • Boca de ouro

    Tragédias Cariocas II

    • O beijo no asfalto
    • Bonitinha, mas ordinária ou Otto Lara Rezende
    • Toda Nudez Será Castigada
    • A serpente

    Ordem cronológica

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    Estreias das peças (todas no Rio de Janeiro)

    • A mulher sem pecado – 1941 – Direção: Rodolfo Mayer
    • Vestido de noiva – 1943 – Direção: Zbigniew Ziembiński
    • Álbum de família – 1946 – Direção: Kleber Santos
    • Anjo negro – 1947 – Direção: Zbigniew Ziembiński
    • Senhora dos Afogados – 1947 – Direção: Bibi Ferreira
    • Doroteia – 1949 – Direção: Zbigniew Ziembiński
    • Valsa nº 6 – 1951 – Direção: Milton Rodrigues
    • A falecida – 1953 – Direção: José Maria Monteiro
    • Perdoa-me por me traíres – 1957 – Direção: Léo Júsi
    • Viúva, porém honesta – 1957 – Direção: Willy Keller
    • Os sete gatinhos – 1958 – Direção: Willy Keller
    • Boca de ouro – 1959 – Direção: José Renato
    • O beijo no asfalto – 1960 – Direção: Fernando Torres
    • Bonitinha, mas ordinária – 1962 – Direção Martim Gonçalves
    • Toda nudez será castigada – 1965 – Direção: Zbigniew Ziembiński
    • Anti-Nélson Rodrigues – 1974 – Direção: Paulo César Pereio
    • A serpente – 1978 – Direção: Marcos Flaksman

    Romances

    • Meu destino é pecar – 1944
    • Escravas do amor – 1944
    • Minha vida – 1944
    • Núpcias de fogo – 1948
    • A mulher que amou demais – 1949
    • O homem proibido – 1959
    • A mentira – 1953
    • Asfalto selvagem – 1959 (também conhecido como Engraçadinha)
    • O casamento – 1966

    Contos

    • Cem contos escolhidos – A vida como ela é… – 1972
    • Elas gostam de apanhar – 1974
    • A vida como ela é — O homem fiel e outros contos – 1992
    • A dama do lotação e outros contos e crônicas – 1992
    • A coroa de orquídeas – 1992

    Crônicas

    • Memórias de Nélson Rodrigues – 1967
    • O óbvio ululante: primeiras confissões – 1968
    • A cabra vadia – 1970
    • O reacionário: memórias e confissões – 1977
    • Fla-Flu…e as multidões despertaram – 1987
    • O remador de Ben-Hur – 1992
    • A cabra vadia – Novas confissões – 1992
    • A pátria sem chuteiras – Novas Crônicas de Futebol – 1992
    • A menina sem estrela – memórias – 1992
    • À sombra das chuteiras imortais – Crônicas de Futebol – 1992
    • A mulher do próximo – 1992
    • Nélson Rodrigues, o Profeta Tricolor – 2002
    • O Berro impresso nas Manchetes – 2007

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