Memórias do Cárcere, de Graciliano Ramos

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  • Acusado de ligação com o partido comunista, Graciliano ramos foi preso em março de 1936. Preso sem processo, foi deportado num porão de navio para o Rio de Janeiro. Foi demitido de seu cargo de Diretor da Instituição publica e levado a diversos presídios até Janeiro de 1937. Esta experiência ficou registrada em Memórias do Cárcere. A obra não é o relato simples e puro do sofrimento de Graciliano Ramos, é a análise da prepotência que marcou a ditadura Vargas.

    Produzida em quatro volumes, narra acontecimentos de Graciliano e outras pessoas que estiveram presas durante o Novo Estado. Possui uma narrativa amarga, é fiel aos acontecimentos e não a direciona para o lado pessoal.

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    Memórias do Cárcere é o testemunho da realidade nua e crua de quem, sem saber por quê, viveu em porões imundos, sofreu com torturas e privações provocadas por um regime ditatorial chamado de Estado Novo.

    Na obra, Graciliano Ramos não diz diretamente que se sente injustiçado, embora o tenha sido e isso se explicita no próprio texto. Não fica insistindo que não deveria estar naquelas situações, isso faz com que a indignação do leitor não fique restrita às suas histórias particulares, mas se direcione a situações vivenciadas por muitas pessoas. O que o autor retrata, e é o que mais interessa em Memórias do Cárcere, é um olhar de quem foi preso, algo que é muito mais abrangente do que se fixar no olhar do narrador.

    Trecho da obra

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    O mundo se tornava fascista. Num mundo assim, que futuro nos reservariam? Provavelmente não havia lugar para nós, éramos fantasmas, rolaríamos de cárcere em cárcere, findaríamos num campo de concentração. Nenhuma utilidade representávamos na ordem nova. Se nos largassem, vagaríamos tristes, inofensivos e desocupados, farrapos vivos, fantasmas prematuros; desejaríamos enlouquecer, recolhermo-nos ao hospício ou ter coragem de amarrar uma corda ao pescoço e dar o mergulho decisivo. Essas idéias, repetidas, vexavam-me; tanto me embrenhara nelas que me sentia inteiramente perdido.

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