Dias Gomes

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  • Essencialmente um homem de teatro, aos 15 anos Dias Gomes escreveu sua primeira peça, A Comédia dos Moralistas, com a qual ganharia o prêmio do Serviço Nacional de Teatro, no ano seguinte. Em 1942, sua peça Amanhã Será Outro Dia chega às mãos do ator Procópio Ferreira que, empolgado com a qualidade do texto, chama o autor para uma conversa. Embora tivesse gostado do que lera, tratava-se de um drama antinazista e Procópio achava arriscado levar à cena um espetáculo desse porte em plena Segunda Guerra Mundial. Quando questionado se não teria uma outra peça, de comédia talvez, Dias lembrou-se de Pé de Cabra, uma espécie de sátira ao maior sucesso de Procópio até então, e não hesitou em levá-la ao grande ator que, entusiasmado, comprometeu-se a encená-la.

    Sob a alegação de que a peça possuía alto conteúdo marxista, Pé de Cabra seria proibida no dia da estreia. Curioso notar que, embora anos depois o autor viesse a se filiar ao Partido Comunista Brasileiro, até então Dias Gomes nunca havia lido uma só linha de Karl Marx.

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    Graças à sua influência, Procópio consegue a liberação da peça, mediante o corte de algumas passagens, e a mesma é levada à cena com grande sucesso. No ano seguinte, Dias Gomes assinaria com Procópio aquele que seria o primeiro grande contrato de sua carreira, no qual se comprometia a escrever com exclusividade para o ator. Desse período nasceram Zeca Diabo, João Cambão, Dr. Ninguém, Um Pobre Gênio e Eu Acuso o Céu.

    Infelizmente nem todas as peças foram encenadas, pois logo Dias e Procópio se desentenderam por sérias divergências políticas. Refletindo o pensamento da época, Procópio não concordava com as preocupações sociais que Dias insistia em discutir em suas peças. Tais diferenças levariam o autor a se afastar temporariamente dos palcos e ele passou a se dedicar ao rádio.

    Foi no ambiente radiofônico que Dias Gomes travou contato pela primeira vez com aquela que viria a se tornar sua primeira esposa, a então desconhecida Jenete(Janete Clair). Com ela, teria três filhos: Alfredo Dias Gomes, Guilherme Dias Gomes[1] e Denise Emmer.

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    De 1944 a 1964, Dia Gomes adaptou cerca de 500 peças teatrais para o rádio, o que lhe proporcionou apurado conhecimento da literatura universal.

    Em 1960, Dias Gomes volta aos palcos com aquele que viria a ser o maior êxito de sua carreira, pelo qual se tornaria internacionalmente conhecido: O Pagador de Promessas. Adaptado para o cinema, O Pagador seria o primeiro filme brasileiro a receber uma indicação ao Oscar e o único a ganhar a Palma de Ouro em Cannes.

    Em 1965, Dias assiste, perplexo, à proibição de sua peça O Berço do Herói, no dia da estreia. Adaptada para a televisão com o nome de Roque Santeiro, a mesma seria proibida uma década depois, também no dia de sua estreia. Somente em 1985, com o fim do Regime Militar, o público iria poder conferir a Roque Santeiro – que, diga-se de passagem, viria a se tornar uma das maiores audiências do gênero.

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    Com a implantação da Ditadura Militar no Brasil, em 1964, Dias Gomes passa a ter suas peças censuradas, uma após a outra.

    Demitido da Rádio Nacional, graças ao seu envolvimento com o Partido Comunista, não lhe resta outra saída senão aceitar o convite de Boni, então presidente da Rede Globo, para escrever para a televisão.

    De 1969 a 1979 Dias Gomes dedica-se exclusivamente ao veículo, no qual demonstra incomum talento.

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    Em 1972 Dias Gomes levaria o povo para a televisão ao ambientar Bandeira 2 no subúrbio carioca.

    Em 1973 escreveu a primeira novela em cores da TV brasileira, O Bem Amado.

    Em 1974 já falava em ecologia e no crescimento desordenado da cidade com O Espigão.

    Em 1976, com Saramandaia, abordaria o realismo fantástico, então em moda na literatura.

    O fracasso de Sinal de Alerta, em 1978, leva Dias a se afastar do gênero telenovela temporariamente.

    Ao longo de toda a década de 1980, Dias Gomes voltaria a se dedicar ao teatro, escrevendo para a televisão esporadicamente. Datam desse o período os seriados O Bem Amado e Carga Pesada (apenas no primeiro ano), e as novelas Roque Santeiro e Mandala, das quais escreveria apenas parte.

    Viúvo de Janete Clair, que morrera um ano antes, em 1984 Dias casa-se com a atriz Bernadeth Lyzio, com quem tem duas filhas: Mayra Dias Gomes (escritora) e Luana Dias Gomes .

    Nos anos 90, Dias Gomes viraria as costas de vez para as telenovelas, dedicando-se única e exclusivamente às minisséries.

    Em meio à preparação de mais um trabalho para a televisão, a minissérie Vargas – baseada em sua peça Dr. Getúlio, Sua Vida, Sua Glória -, Dias Gomes morre num trágico acidente automobilístico, ao sair de um restaurante no centro de São Paulo.

    Academia Brasileira de Letras

    Dias Gomes ocupou a cadeira 21, cujo patrono é o maranhense Joaquim Serra e o atual ocupante é o escritor Paulo Coelho.

    Obras

    Teatro

    • A Comédia dos Moralistas – 1938
    • Esperidião – 1939
    • Ludovico – 1940
    • Amanhã Será Outro Dia – 1941
    • O Homem Que Não Era Seu – 1942
    • Pé-de-Cabra – 1942
    • Zeca Diabo – 1943
    • João Cambão – 1943
    • Dr. Ninguém – 1943
    • Um Pobre Gênio – 1943
    • Eu Acuso o Céu – 1943
    • Sinhazinha – 1943
    • Toque de Recolher – 1943
    • Beco sem Saída – 1944
    • A Dança das Horas (adaptação do romance Quando é Amanhã) – 1949
    • O Bom Ladrão – 1951
    • Os Cinco Fugitivos do Juízo Final – 1954
    • O Pagador de Promessas – 1959
    • A Invasão – 1960
    • A Revolução dos Beatos – 1961
    • O Bem-Amado – 1962
    • O Berço do Herói – 1963
    • O Santo Inquérito – 1966
    • O Túnel – 1968
    • Dr. Getúlio, Sua Vida, Sua Gloria (com Ferreira Gullar) – 1968
    • Vamos Soltar os Demônios (Amor Em Campo Minado)- 1969
    • As Primícias – 1977
    • Phallus (inédita) – 1978
    • O Rei de Ramos – 1978
    • Campeões Do Mundo – 1979
    • Olho No Olho (inédita) – 1986
    • Meu Reino Por Um Cavalo – 1988
    • Roque Santeiro, o musical – 1995

    Literatura

    • Duas Sombras Apenas – 1945
    • Um Amor e Sete Pecados – 1946
    • A Dama da Noite – 1947
    • Quando é Amanhã – 1948
    • Sucupira, Ame-a ou Deixe-a – 1982
    • Odorico na Cabeça – 1983
    • Derrocada – 1994
    • Decadência – 1995

     
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