Autran Dourado

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  • Waldomiro Freitas Autran Dourado nasceu em Patos, Minas Gerais, em 18 de janeiro de 1926. É um dos romancistas brasileiros de maior prestígio internacional. Filho de um juiz, passou sua infância em Monte Sião e São Sebastião do Paraíso, no mesmo estado. Aos 16 anos, ganhou um concurso de contos. Aos 17, já tinha um livro de contos pronto e foi para Belo Horizonte, onde passou a participar da vida literária da cidade. Cursou Direito, enquanto trabalhava como taquígrafo e jornalista. Seu primeiro livro, Teia, foi publicado em 1947, uma novela sobre o início de um ciclo sobre a decadência do interior de Minas. Ganhou o Prêmio Mário Sette do Jornal de Letras com Sombra e exílio em 1950. Em 1954, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde foi secretário de imprensa da República (1955-1960) no governo de Juscelino Kubitschek. Publicou Tempo de amar (1952), Nove histórias em grupos de três (1957) com o qual ganhou o Prêmio Artur Azevedo, do Instituto Nacional do Livro, A barca dos homens (1961), considerado o melhor livro do ano pela União Brasileira de Escritores, Ópera dos mortos (1967), O risco do bordado (1970), Solidão Solitude (1972), Os sinos da agonia (1974), O Novelário de Donga Novais (1976) e Armas & corações (1978). Contabiliza mais de trinta livros entre contos, ensaios, novelas e romances, muitos dos quais traduzidos para diversos idiomas. Ganhou vários prêmios literários, entre eles o Prémio Camões, em 2000. Seu romance mais célebre é Ópera dos Mortos, incluída na seleção de obras representativas da literatura universal, feita pela Unesco. Sua obra predileta é a novela Uma vida em segredo, adaptada posteriormente para o cinema. Autran Dourado é tido como um escritor “mineiro” por excelência, tanto nas obras – transformou o interior de seu estado em histórias fatalistas de estilo barroco – como em seus hábitos pessoais. “Não mineirice, que é uma caricatura distorcida de quem nasceu em Minas”, sublinha. “Mineiridade sim que é a simpática tradição dos mineiros de ponderação e prudência.” Outros destaques de sua obra são O risco do bordado (1970), Ópera dos fantoches (1995), As imaginações pecaminosas (Prêmio Goethe de Literatura, 1981), A serviço del-rei (1984) e Confissões de Narciso (1997), seu livro mais intimista. A obra Gaiola aberta (2000) é uma revelação de memórias guardadas do tempo em que trabalhou com Juscelino. “Neste livro trato da relação do escritor com o poder e traço um retrato humano, demasiadamente humano, de JK”. A obra de Autran Dourado se caracteriza, na opinião de Massaud Moisés, por sua “intrínseca mineiridade, isto é, por uma tendência introspectiva, em que os seres se debatem sem encontrar saída, enjaulados em atmosferas cinzentas, acossados pelo desentendimento, pela decadência e pelo estigma da morte”.

    Diversas narrativas se passam na cidade imaginária de Duas Pontes, a maioria narradas pelo personagem João da Fonseca Ribeiro, formando um conjunto em que as gerações da família Honório Cota se sucedem, transitando entre os séculos do apogeu da mineração ouro até os dias de hoje. Outras estão ambientadas em cidades reais da Minas Gerais atual e de outras épocas; uma exceção é A barca dos homens, ambientada numa ilha do sul do Brasil. Em suas obras, focaliza a vida no interior de Minas Gerais e utiliza amplamente expressões locais, mas explora não temáticas regionalistas, e sim os aspectos psicológicos da vida humana: a morte, a solidão, a incompreensão do outro, a loucura, o crime. Esses traços demonstram tanto a origem mineira do autor quanto a influência de James Joyce, Stendhal e Goethe. Além disso, frequentemente revela-se também influenciado pelo Barroco mineiro e espanhol, usando uma linguagem obsessivamente trabalhada e trazendo personagens que são arrastados por forças superiores rumo à destruição. O pensamento de filósofos como Platão, Aristóteles, Nietzsche e Schopenhauer também se manifesta nas obras de Autran Dourado.

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    Bibliografia

    Romances

    • Tempo de Amar (1952) – Prêmio Cidade de Belo Horizonte
    • A Barca dos Homens (1961) – Prêmio Fernando Chinaglia
    • Uma Vida em Segredo (1964)
    • Ópera dos Mortos (1967) – listado na Coleção de Obras Representativas da UNESCO
    • O risco do bordado (1970) – Prêmio Pen-Club do Brasil
    • Os sinos da agonia (1974) – Prêmio Paula Britto
    • Novelário de Donga Novaes (1976)
    • Armas & corações (1978)
    • As imaginações pecaminosas (1981) – Prêmio Goethe de Literatura e Prêmio Jabuti categoria Contos/crônicas/novelas
    • A Serviço Del-Rei (1984)
    • Lucas Procópio (1985)
    • Um cavalheiro de antigamente (1992)
    • Opera dos Fantoches (1994)
    • Confissões de Narciso (1997)
    • Monte da alegria (2003)

    Ensaios

    • A glória do oficio. Nove histórias em grupo de três (1957)
    • Uma poética de romance (1973)
    • Uma poética de romance: matéria de carpintaria (1976)
    • O meu mestre imaginário (1982)
    • Um artista aprendiz (2000)
    • Breve manual de estilo e romance (2003)

    Memórias

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    • Gaiola aberta (2000)

    Histórias curtas

    • Teia (1947)
    • Sombra e exílio (1950) – Prêmio Mário Sette
    • Três histórias na praia (1955)
    • Nove histórias em grupos de três (1957) – Prêmio Artur Azevedo
    • Solidão solitude (1978, reedição das novelas de Três histórias na praia e Nove histórias em grupos de três)
    • Novelas de aprendizado (1980, reedição das novelas Teia e Sombra e exílio)
    • Violetas e caracóis (1987)
    • Melhores contos (2001)
    • O senhor das horas (2006)

    Artigos

    • Símbolo literário e símbolo psicológico: o mito ordenador (Revista do Brasil, 4 126-129, 1985)

    Principais prêmios literários

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    • Prêmio Goethe de Literatura – 1981
    • Prêmio Jabuti – 1982 (categoria Contos/crônicas/novelas)
    • Prémio Camões – 2000
    • Prêmio Machado de Assis – 2008

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